domingo, 27 de maio de 2012

A semelhança entre House e Da Vinci

O que você faz da vida?

Pergunte isso a uma pessoa aleatória e são altas as chances de que ela responda algo simplista e chato como “eu sou um advogado”, “eu sou médico”, “eu sou empresário” ou mesmo “eu sou jogador de futebol” (desculpe se era seu sonho responder algo assim).

Eu me pergunto o que Da Vinci responderia a essa questão. Será que ele enumeraria uma lista de atividades ou escolheria uma para dizer que é a principal enquanto as outras seriam apenas hobbies? É difícil dizer, ele foi notável em quase todas em que mergulhou (não digo todas porque é possível que ele fosse um cozinheiro de frutos do mar frustrado ou um péssimo tocador de oboé, mas nunca vamos saber).

De qualquer forma, se ele tivesse sido obrigado a escolher entre ser pintor ou inventor visando não mais que um salário no fim do mês, talvez hoje não tivéssemos bicicletas ou a sensação do Louvre fossem as múmias (que são bem legais também, com todo respeito).

No prefácio do Parem de Roubar Sonhos, comento que minha mãe me obrigava a ir à escola com argumento de que eu era estudante e é isso que estudantes fazem, enquanto eu acreditava me encaixar muito melhor na categoria de músico ou atleta (você pode baixar o livro de graça aqui).

Por que a gente se limita tanto? Por que a gente se classifica e abre mão de nossa versatilidade e de nossa criatividade para seguir um papel com funções predefinidas?

Fiquei feliz ao ler uma matéria sobre os planos de Hugh Laurie após o fim do House (sim, Hugh Laurie é o ator que interpreta o protagonista). Meu palpite era que ele ia acabar fazendo comédias românticas com a Jennifer Aniston ou uma nova série com um personagem parecido e não tão bom, como o desastre da Julia Louis-Dreyfus, que fez a Elaine do Seinfeld e acabou virando a nada, nada engraçada Old Christine.

Mas o cara me surpreendeu. Na verdade não o que ele vai fazer (que não ficou muito claro), mas o que ele já fez até agora.

Além de “ser” o House, o cara é formado em Antropologia e Arqueologia pela Universidade de Cambridge, gravou um álbum de blues que chegou ao topo dos mais ouvidos do Reino Unido e quase foi atleta olímpico de remo treinando mais de 8 horas por dia.

E você queria ter um filho, escrever um livro e plantar uma árvore?

O cara ainda tem três filhos, escreveu um best seller (e já está escrevendo sua continuação), e por acaso você sabe quem plantou a Amazônia? Eu também não.

Um belo exemplo para quem acha que não tem mais Da Vincis por aí.

Pergunto mais uma vez, o que você faz da vida? E o que você queria fazer?


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domingo, 20 de maio de 2012

Diversão sem obstáculos


Lá estava eu sentado sobre a canga de uma amiga de longa data, na parte da Pont des Arts mais próxima do Louvre. Com um violão emprestado, fazia a base de um blues improvisado em total sintonia com outros quatro grandes irmãos, talentosíssimos. Um simulava a bateria em um cajon, outro alternava solos de violão e gaita. Enquanto isso a líder do grupo dita a melodia com seu saxofone, enquanto o quarto faz arranjos sutis em sua escaloneta, uma espécie de teclado de sopro com o som semelhante ao de um acordeon. Os amigos que não tocam riem, tomam vinho, batem palma e tiram fotos enquanto a lua se ergue no céu ao mesmo tempo em que o sol se põe do outro lado.

Um belo retrato de como a vida é gostosa quando se está entre amigos.

A sutileza é que das mais de vinte personagens eu conhecia duas, a que me convidou e a que eu convidei. Ainda não sei de quem era a canga e não sei nem qual a primeira língua dos outros músicos.

Mas se eu pudesse, teria ficado bem mais tempo lá.

Às vezes tenho a impressão de que a gente coloca obstáculos demais para sair de casa e se divertir. Tem que ser no dia da semana certo, com companhias específicas e em lugares cuja qualidade conhecemos antecipadamente por experiência própria ou indicação.

Acho que a gente precisa sorrir mais e dizer mais sim.

Ok... Uma palinha pra você que é fan de blues!




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domingo, 13 de maio de 2012

Como mudar uma pessoa


Às vezes descobrimos coisas que mudam a nossa vida. Coisas sensacionais, que funcionam, que você vê funcionar na sua frente e hoje sua vida é muito melhor graças a elas. E você sabe que se mostrar essas coisas para as pessoas, vai ser melhor para elas também. 

Talvez isso seja verdade. Mas nem sempre as pessoas querem ver o que você tem a mostrar. Elas não duvidam que você se sente melhor graças a isso mas mesmo assim não querem experimentar nelas mesmas. Você vê o erro que elas estão cometendo mas não há nada que consiga fazer para elas mudarem. 

O que fazer? 

Pare. O clichê “seja a mudança que você quer ver no mundo” possivelmente vem do fato de que não há nada mais insuportável do que alguém lhe dizendo para fazer as coisas de forma diferente. 

Uma pessoa não pode mudar a outra. O único jeito de alguém mudar é por iniciativa própria. 

Então concentre sua energia em dar o exemplo. Quando você está certo, mais cedo ou mais tarde as pessoas percebem e começam a imitar.



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domingo, 6 de maio de 2012

1, 2, 3 Salve todos


Se divertir era mais fácil quando a gente era criança. A imaginação corre solta, não existem problemas nem preocupações, você simplesmente observa o mundo e vê graça nele.

Existe um estado de êxtase que a gente atinge frequentemente quando é criança que é uma das melhores sensações do mundo. Aquele momento quando você é o único que não foi encontrado no pique-esconde, e quando vê a brecha, corre como um alucinado para bater "salve-todos" (eu me pergunto se as crianças de hoje em dia sabem o que é isso). É um misto de adrenalina com euforia que é sempre seguido de minutos de gargalhadas sem motivo racionalmente compreensível, mas todo mundo em volta consegue sentir aquela energia. Aquilo sim era diversão. E não era preciso nada, apenas brincar.

Quando foi que a gente perdeu a habilidade de se divertir assim?

Uma coisa que eu gosto é de observar pessoas em boates, bares ou lugares aonde vamos com o objetivo de se divertir. Além de presenciar cenas bem engraçadas e surpreendentes, é uma forma interessante de ver como todo mundo é tão diferente e tão igual ao mesmo tempo.

Mas o que me chama atenção é que todo mundo paga caro, enfrenta filas, tolera seguranças mal educados e se aperta em muvucas com a única missão de se divertir. E olhando para as pessoas, parece que são tão poucas as que realmente conseguem cumpri-la... Exclua os bêbados (não todos, para sobrar alguém) e as pessoas que já estavam muito felizes antes de entrar porque estavam comemorando algo ou porque são sempre assim naturalmente. Sobram as patricinhas com cara de bunda que olham torto para todo mundo, os caras meio tímidos segurando um drink tomando coragem para chegar nas patricinhas, as menininhas desanimadas que queriam encontrar alguém legal e acabam cercadas de bêbados e caras tímidos segurando drinks, e os seguranças mal educados.

Enquanto isso no barzinho, têm o casal meio chato fazendo hora para voltar para casa porque já está cansado dessa semana que foi puxada, o grupo de amigos meio nerd debatendo assuntos não muito interessantes só porque não tinha nada bom para hoje, e aquele que mistura dois círculos de amigos que não têm tanta intimidade e a conversa acaba se restringindo a "o que você faz" e outras trivialidades. Onde está a diversão?

Desde que desaprendemos a brincar, passamos o resto da vida buscando aquela sensação nos lugares errados. Precisamos de álcool ou de um grande motivo para celebrar. Mas e a diversão pela diversão, o que aconteceu com ela?

O êxtase que a criança brincando sente tem tudo a ver com liberdade. A gente começa a deixar de ser criança quando começam a nos censurar.

Comporte-se, as pessoas estão olhando. Repetem isso tantas vezes que no fim das contas a voz surge na cabeça sozinha, a cada impulso de rir alto ou fazer uma besteira que é engraçada para nós mesmos e para mais ninguém.

E com o passar do tempo se livrar do peso dessa censura, agora feita por nós mesmos, é cada vez mais difícil. E a diversão fica escondida, lá no fundo, por baixo de camadas e camadas de fantasias de rapazes e moças sérios e socialmente aceitáveis.

Álcool e semelhantes não são nada mais que atalhos e justificativas para trazer de volta à vida esse "eu livre" temporariamente.

Sinceramente, temporário é muito pouco para uma vida inteira, e a única forma de ter acesso consistentente a esse estado não é por meio de químicos. É se dar conta que as pessoas que antes o censuravam estão ocupadas censurando a si mesmas.

Deixe a máscara cair. Exponha novamente ao mundo a criança que acha graça de tudo e deixe ela brincar um pouco. Não tem ninguém olhando, não tenha medo de levar esporro.





E ganhe grátis o e-book "Parem de Roubar Sonhos", de Seth Godin!



 
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